segunda-feira, 26 de março de 2012

Saúde pública e suicídio

Desemprego, separação conjugal e falta de expectativas são fatores de risco

No Brasil há em média 24 suicídios por dia, o equivalente a 9 mil mortes por ano. Uma estatística alta, já que a aids, por exemplo, é causa de pouco mais de 10 mil óbitos. Ao contrário do que ocorre na maioria dos países, o número de suicídios juvenis supera o de adultos, segundo o relatório Mapa da violência/2011, elaborado pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça; e os índices cresceram 17% nos últimos dez anos.

Apesar dos dados, o país não investe em estratégias de prevenção. “Não há campanhas veiculadas na televisão, como as que alertam sobre a transmissão de doenças. O assunto é tido como tabu, e quando uma pessoa é encaminhada ao sistema de saúde público por tentativa de suicídio ela é liberada após se recuperar. Um em cada quatro pacientes tenta se matar outra vez em menos de um ano”, diz o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), ressaltando que, entre a população indígena, há 20 suicídios para cada 100 mil mortes, o equivalente a quatro vezes a média nacional.

Os altos índices de suicídio entre a população economicamente ativa podem ter impactos sociais a longo prazo. Para cada suicídio, cinco a dez pessoas, entre parentes, vizinhos e colegas de trabalho, desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), o que gera afastamento do trabalho e gastos com medicamentos e favorece os fatores de risco para o comportamento suicida. Suécia, Estados Unidos, Irlanda e Japão, por exemplo, consideram o comportamento suicida urgência médica. No país escandinavo, as mortes foram reduzidas em 39,5% nas últimas duas décadas graças a estratégias como tratamento de pessoas diagnosticadas com depressão e dependentes de álcool, restrição ao acesso dos métodos mais comuns de suicídio, como pesticidas, e, no caso de tentativa, acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais por meio de telefonemas e visitas domiciliares.

Os sintomas de risco de suicídio se confundem com os de transtornos de humor. A comorbidade é de mais de 90%. Segundo Silva, o principal indício é uma primeira tentativa. “Ela geralmente é precedida de outros comportamentos autolesivos e da expressão de pensamentos suicidas”, diz. Estes costumam ser fatores de risco, que podem tomar maiores proporções em caso de desemprego, separação conjugal e anomia (estado de falta de objetivos e expectativas). Pesquisadores do Laboratório de Saúde Mental e Medicina da Universidade Estadual de Campinas (LSMM-Unicamp), em parceria com o Ministério da Saúde, elaboraram uma cartilha de prevenção direcionada a profissionais da saúde mental, disponível no endereço http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_editoracao.pdf.


Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/saude_publica_e_suicidio.html

terça-feira, 20 de março de 2012

Droga para tratar alcoolismo é bem sucedida em teste preliminar

Uma droga projetada para tratar espasmos nervosos conseguiu superar um importante teste preliminar em um projeto com vistas de curar o alcoolismo, afirmaram médicos franceses em estudo publicado nesta terça-feira (20).
O baclofen - nome laboratorial de um medicamento comercializado como Kemstro, Lioresal e Gablofen - passou com sucesso em um teste preliminar, realizado com um pequeno grupo de alcoólicos, um resultado que abre o caminho para testes clínicos formais, afirmaram os cientistas.
A história do medicamento remonta a 50 anos. Ele foi originalmente projetado para tratar a epilepsia, antes de ser licenciado para tratar a espasticidade, mas os cientistas agora estão interesssados em usá-lo para aliviar a abstinência do álcool.
Em 2008, o livro 'O Último Copo', do cardiologista Olivier Ameisen, despertou interesse, pois no texto o médico afirmou ter tratado a si próprio de alcoolismo com altas doses de baclofen.
O novo teste foi realizado com 132 bebedores contumazes que ingeriram baclofen em altas doses durante um ano.
Oitenta por cento ficam abstêmios ou se tornaram bebedores moderados. Comparativamente, duas drogas comumente usadas para tratar alcoólicos, naltrexona e a acamprosato, tiveram uma taxa de sucesso entre 20% e 25%.
Os efeitos colaterais do baclofen incluíram fadiga, sonolência, insônia, tontura e problemas digestivos.
O principal autor da pesquisa, Philippe Jaury, da Universidade de Paris-Descartes, disse que o resultado abriu as portas para testes clínicos com duração de um ano, cujo início deve começar em maio, em que 320 alcoólicos seriam divididos em dois grupos.
Uma parte receberá baclofen, com doses que aumentariam gradativamente até que os sintomas de abstinência desapareçam, enquanto a outra receberá um placebo.
O sistema de saúde francês paga 750 mil euros do custo de 1,2 milhão do teste e um doador não identificado paga o restante, explicou Jaury à AFP.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/afp/2012/03/20/droga-para-tratar-alcoolismo-e-bem-sucedida-em-teste-preliminar.jhtm

Más condições de vida favorecem transtornos mentais, alerta pesquisa

DA AGÊNCIA BRASIL

A violência urbana e a falta de qualidade de vida favorecem o desenvolvimento de transtornos mentais na população, segundo a coordenadora do Núcleo Epidemiológico da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Laura Helena Andrade.
Ansiedade é transtorno mais comum na Grande São Paulo
Para a pesquisadora, esses fatores são responsáveis pela prevalência de problemas como a ansiedade, depressão e uso de drogas em cerca de 30% dos paulistanos.
O dado faz parte de uma pesquisa feita em consórcio com a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Universidade de Harvard, publicada em fevereiro.

REGIÕES POBRES
O estudo conseguiu identificar grupos mais vulneráveis a esses transtornos, como os migrantes que moram nas regiões pobres da cidade. "A gente vê que os homens migrantes que vão para essas regiões têm mais risco de desenvolver quadros ansiosos, do que os que migram para as regiões com melhor condição", ressaltou.
"As mulheres que vivem nessas regiões mais remotas, que são chefes de família, têm mais risco de quadros ansiosos e quadros de controle de impulso", completou.
As condições de vida dessa população fazem com que o Brasil tenha um número maior de afetados, cerca de 10%, do que outros países que participaram do estudo, além de uma ocorrência maior de casos moderados e graves.
"Em segundo lugar vem os Estados Unidos, com menos de 7%, e em outros países é menos de 5%", disse a pesquisadora.
Para Andrade, as doenças são indicativos dos problemas sociais enfrentados pela população da periferia da capital paulista.
"Essas pessoas que estão vindo para São Paulo, estão vindo para regiões mais violentas, estão mais expostas à violência. Então, acho que [elas] precisariam realmente ter políticas habitacionais. Tem que melhorar a qualidade de vida das pessoas. Melhorar a escolaridade, o ambiente onde elas vivem", declarou.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1063868-mas-condicoes-de-vida-favorecem-transtornos-mentais-alerta-pesquisa.shtml

sábado, 17 de março de 2012

Pessoas que Mentem...

A eloquência da mentira

A MITOMANIA é uma tendência patológica relacionada ao hábito de mentir. O mitômano, diferente do mentiroso, cria suas histórias verossímeis e muito bem construídas, a fim de suprir alguma necessidade interior.

Por Andrea Bandeira




shutterstock

A Pseudologia fantástica, mitomania ou mentira patológica são termos utilizados por psiquiatras para definir o comportamento habitual do mentiroso compulsivo. Mentira patológica pode ser definida como a falsificação totalmente desproporcional para qualquer finalidade em vista, que pode se manifestar ao longo de um período de anos ou durante toda a vida.
Justamente por não possuírem consciência plena do que se passa com eles, os mitômanos acabam por iludir os outros em histórias de fins únicos e práticos, com o intuito de suprirem aquilo que falta em suas vidas. É considerada uma doença grave, necessitando que o  seu portador obtenha grande atenção por parte dos amigos e familiares.

Diferenças importantes

Podemos dizer que o discurso do mitômano é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que tem finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo ela apenas um meio para outros fins. Para os mitômanos, a mentira é uma forma de consolo por algum motivo criado em sua mente.
Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente que está muitas vezes unida à angústia profunda, ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e à depressão.

Apesar de o mitômano saber que o que ele diz não é to­talmente verdade ele também sabe que isso deve ser verda­deiro para que lhe garanta um equilíbrio interior suficiente. Em determinado momento, a pessoa prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva exterior. Ela tem ne­cessidade de contar essa histó­ria para se sentir tranquilizada e de acordo consigo mesma. Em geral, essa manifestação deve-se à profunda necessidade de apreço ou atenção.

Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania, uma forma de desequilíbrio psíquico caracterizado essencialmente por declarações mentirosas, vistas pelos portadores da doença como realidade.

domingo, 11 de março de 2012

Psicossomatização das doenças

"Quando o sofrimento não pode se expressar através do pranto, ele faz chorar outros órgãos"
(William Motsloy)
A linguagem das emoções é somática, isso quer dizer que as tensões psíquicas podem provocar ou acentuar enfermidades, transtornos orgânicos. Conhecer as relações existentes entre as funções psíquicas e somáticas, ajudam o profissional de reabilitação a entender o contexto em que se encontra o paciente, justificando suas atitudes, sua aceitação ou não da doença, do tratamento, dos limites impostos pela enfermidade do paciente.
Frequentemente os doentes apresentam condutas desajustadas, reações de insegurança, depressão, isolamento de acordo com o tipo, duração ou gravidade da doença. O terapeuta pode ajudar o paciente a assumir os aspectos positivos da sua personalidade e sua melhor integração à sociedade.
Algumas doenças levam à tensões emocionais( Aumento da PA, aumento de pulsações, distúrbios digestivos, respiratórios, cardiovasculares...). O tipo de estímulo emocional pode influir na eleição do órgão enfermo, exemplos:
Necessidade de amor e ajuda: aparelho digestório
Raiva e medo: Sistema Cardiovascular
Rejeição e hostilidade reprimida:Aparelho respiratório
A etapa de resistência a tensão por parte do indivíduo pode durar anos até o desgaste psíquico apareça fisiologicamente, como o caso da artrite progressiva, o paciente é perfeccionista, incapaz de externalizar a raiva, sensível à crítica, controlador.
A complexidade do diagnóstico e tratamento se deve ao fato de haver relação entre tensão emocional, perturbações do órgão(funcionais) e lesão estrutural, que devem ser analisadas em suas causas,não apenas em seus efeitos(sintomas).
Enfim, os fatores de risco sociais, econômicos, relações interpessoais entre outros, contribuem significativamente ao desgaste psiquico do indivíduo, podendo causar-lhe doenças. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Dedo podre: por que há mulheres que só escolhem os homens errados?

Atrair sempre o mesmo tipo de homem tem motivo (e a culpa não é deles!)

Você acha que não dá sorte com relacionamentos, pois escolhe sempre homens complicados para namorar? Ou não aguenta mais ouvir a melhor amiga reclamar de que só arruma sujeitos comprometidos, que só desejam uma aventura e nada mais? Antes de colocar a culpa no sexo masculino, avalie se não é você a culpada por essas escolhas. Para ajudá-la, ouvimos duas especialistas. A consultora Sandra Maia, autora dos livros "Eu Faço Tudo por Você e "Você Está Disponível", ambos da Editora Celebris, explica por que muita gente encara um romance problemático atrás do outro. E a jornalista e escritora Rejane Freitas, autora de Pare de Amar Errado (Matrix Editora), comenta sobre os perfis de homens com os quais, de fato, não vale a pena perder tempo. Compreenda melhor o que se passa pela sua cabeça e livre-se da síndrome do dedo podre.

UOL - Por que algumas mulheres entram em uma relação problemática após outra?
Sandra Maia - Em primeiro lugar, porque confundimos tudo –amor com a distorção desse sentimento. Pensamento com confusão de sentimentos. Apego com aprisionamento. Achamos que o outro é como qualquer objeto que pode ser moldado. Depois, porque gostamos mais da relação e da adrenalina do que do outro ou de nós mesmas. Esse, geralmente, é só mais um objeto a ser conquistado.

UOL - Esse padrão começa na infância?
Sandra Maia - Sim, pois é na infância que formamos nossas crenças com base na percepção do que acontece à nossa volta, com nossos recursos de criança. Ou seja, fantasiamos, saímos da realidade e, então, formamos crenças errôneas que vão impactar todo o nosso desenvolvimento. Quando adultos, nós tendemos a repetir o que percebemos. Logo, se percebemos abandono, podemos escolher abandonar ou sermos abandonadas. Se percebemos rejeição, rejeitar ou sermos rejeitadas, e assim por diante. Passamos a viver em um círculo vicioso, algumas vezes doentio, que é impossível quebrar sem ajuda externa.

UOL - Existe um perfil típico dessas mulheres?
Sandra Maia - Não diria um perfil, mas um padrão de comportamento que escolhe se punir ou ser punida por algo que acreditou lá na infância. Isso parece complexo, e é! E, vale ressaltar, não somos só nós mulheres vítimas dessa confusão; muitos homens sofrem do mesmo mal. Daí a importância de um forte trabalho de autoconhecimento e de resgate da autoestima para, de uma vez por todas, abrir mão dessas crenças e, com os recursos do adulto que somos, fazer novas escolhas.


Fonte: UOL.

Museu dos relacionamentos acabados

Um ursinho de pelúcia com as palavras Eu te amo costuradas no peito e, abaixo dele, uma espécie de lápide com a inscrição Era mentira acompanhada da data e local do término de um noivado. O antigo presente é uma das peças da mostra itinerante Museu dos relacionamentos acabados, que circula por cidades europeias desde o ano passado. A ideia de colecionar e expor lembranças amorosas surgiu quando a criadora do museu, a artista plástica croata Olinka Vistica, terminou um namoro de quatro anos.
O acervo, formado no início por peças de amigos e conhecidos, foi incrementado pouco a pouco com exemplares de vários países, como o vestido de noiva de uma milionária que se casou com pompa na Grécia e o martelo usado por uma alemã para destruir os móveis da ex-namorada. Olinka pretende ampliar a mostra com objetos que representem corações partidos do mundo todo. Para isso, criou um site para quem tiver interesse em doar parte de sua história afetiva. Basta preencher um formulário e escrever, no próprio idioma, o significado da recordação e por que quer exibi-la: http://brokenships.com/en.
O custo de envio é por conta do doador, mas o recebimento é confirmado pela artista por meio de fotografias. Já pensou no que gostaria de enviar para o museu?