quarta-feira, 17 de abril de 2013

Como acabar com a compulsão alimentar


Método criado pelo médico Máximo Ravenno elimina a compulsão alimentar



A geladeira não é a sua melhor amiga. É o que defende o clínico geral e psicoterapeuta argentino Máximo Ravenno em seu livro "A Teia de Aranha Alimentar" (Ed. Guarda-Chuva, R$ 38*).

Percebendo o grande número de pacientes que encara a comida (em especial doces e frituras) como a maior fonte de conforto diante das dificuldades da vida, o médico criou um método que, trazendo a saciedade de volta, elimina a compulsão alimentar. É o fim do ciclo "comer para ficar bem e se sentir culpada depois" e o início de um transformador percurso rumo a uma vida saudável, sem dieta! Pronta para treinar seu cérebro?

Identifique o ciclo que faz vê comer sem parar

Quando você ingere um alimento que adora (em geral, doces e frituras, né?), seu cérebro registra a experiência como algo prazeroso. Então, toda vez que se depara com uma situação estressante, ele recupera essa sensação e pede mais desses alimentos. Só que essa é uma solução provisória e, pior, viciante! A dependência pode não ser diária, mas já caracteriza uma percepção de que comida gostosa é recompensa para qualquer sensação ruim.

Veja como o ciclo funciona:
Mecanismos de defesa

Alguns mecanismos de defesa fazem você negar que está neste ciclo; assim, você continua comendo sem parar. As armadilhas abaixo são comuns e podem estar reforçando seu vício. Ver a si mesma em alguma delas é o primeiro passo para a superação.

· Racionalização: identificar uma ação como responsável pelo excesso de comida. Por exemplo, dizer que se alimenta mal pois "não tem tempo" para buscar itens saudáveis.

· Desatenção seletiva: seja no espelho do elevador ou no reflexo da vitrine, as mulheres costumam checar o visual. Pessoas obesas, no entanto, evitam encarar a realidade de que estão acima do peso.

· Deslocamento: a ideia é adaptar seus interesses e gostos à comida com o objetivo de sustentar seu vício. Já pensou que seus programas favoritos incluem comer?

· Isolamento: seu organismo reprime os sentimentos negativos relacionados à sua compulsão. Por exemplo, você passa a não se incomodar mais por usar calça tamanho 48...

· Formação reativa: este mecanismo de defesa faz com que você acredite que a gordura está relacionada à saúde e a magreza, à doença.

O método exclusivo

O médico Máximo Ravenno garante que, seguindo estes três passos, você vai conseguir mudar sua relação com a comida.

1. O ponto de partida é reduzir o excesso de alimento. "A sensação de não ter comido o suficiente desaparece em 48 horas e a saciedade voltará naturalmente", diz o médico. Evite carboidratos, gordura e sal. Não só a fome diminuirá, mas a vontade de resolver seus problemas comendo.

2. Diga "não" ao se deparar com algo tentador e escolha porções pequenas do que for comer. Isso é decisivo, implica numa escolha: comer mais mesmo sabendo que isso não resolverá seus problemas ou comer pouco para deixar de sentir uma fome compulsiva.

3. Fique longe da comida e aumente o tempo entre cada refeição: não coma mais de quatro vezes ao dia. Nesse ponto, você já sentirá menos fome, o que vai ajudá-la a conter desejos. A partir daí, emagrecerá de forma saudável e sem culpa!


terça-feira, 16 de abril de 2013

Viver Amando a Mesma Pessoa Pra Sempre... Não é Conto de Fadas!


Paixão, amor, casamento...

Pesquisas neurocientíficas mostram que é possível sentir-se encantado pela mesma pessoa por décadas



Você já se imaginou vivendo 10, 20 ou 50 anos com a mesma pessoa? Sentindo sempre o mesmo prazer em sua companhia, o mesmo conforto em seus braços? Se a perspectiva parece interessante, agradeça ao seu cérebro (e se não lhe agrada, a culpa é dele, também). De certa forma, é curioso que laços afetivos fortes, como os amorosos, sejam tão importantes para nossa espécie. Tecnicamente, viver em sociedade, ou mesmo em pares, não é obrigatório para a sobrevivência de nenhum animal – vide tantos mamíferos, aves e outros bichos que procuram um par somente para o acasalamento e imediatamente depois seguem cada um o seu caminho.

Se gostamos de formar pares a ponto de investir boa parte de nossa energia, tempo e esforços cognitivos em convencer um belo exemplar do sexo interessante de que nós somos a pessoa mais sensacional e desejável na face da Terra, é porque o sistema cerebral humano, como o de outros animais sociais, é capaz de atribuir um valor positivo incrível à companhia alheia. Isso é função do sistema de recompensa, conjunto de estruturas no centro do cérebro especializadas em detectar quando algo interessante acontece, premiar-nos com uma sensação física inconfundível de prazer e satisfação e ainda associar esse prazer com o que levou a ele – o que pode ser uma ação, uma situação, um objeto ou... alguém.

Conforme o prazer se repete na companhia dessa pessoa, o valor positivo que atribuímos a ela é reforçado (enquanto torcemos para que o mesmo aconteça no cérebro dela, associando um valor cada vez mais positivo à nossa própria companhia, claro). É o que fazemos no período de namoro, quando conversas interessantes, passeios agradáveis, boa música, boa comida e carinho oferecem prazeres que vão sendo associados à companhia do outro. Se rola sexo, então, melhor ainda: o prazer do orgasmo funciona como uma cola extraordinária para o sistema de recompensa, que atribui (corretamente!) a satisfação incrível àquela pessoa específica (mas é verdade que isso não funciona tão bem em alguns cérebros...).

Com a repetição, o sistema de recompensa vai aprendendo a ficar ativado não apenas em resposta, mas também em antecipação à presença daquela pessoa. Esse prazer antecipado é a motivação, que nos dá forças para alterar compromissos, abrir espaço na agenda e ficar acordado madrugada adentro. Essa é a paixão, estado de motivação enorme em que se faz tudo em nome de mais tempo na presença do ser amado.

Quando vira amor? Essa questão é complicada, mas existe ao menos uma definição operacional curiosa: passado o ardor da paixão, descobre-se que se ama alguém quando pensar em uma vida sem ela causa angústia sincera e profunda. O amor é esse laço que faz seu cérebro achar que sua felicidade está vinculada à presença e à felicidade do outro e que fazê-lo feliz dá novo sentido à sua vida. Nesse estado, desejar o casamento é apenas natural.

Se é para sempre? Depende de vários fatores, alguns deles fora de nosso alcance, como ser traído (e não apenas sexualmente). A boa notícia da neurociência sobre a longevidade dos relacionamentos amorosos é que eles não estão necessariamente fadados ao esgotamento: é, sim, possível se sentir apaixonado décadas a fio pela mesma pessoa. E não é mero acaso de sorte: você pode fazer sua parte. É uma questão de continuar inventando e descobrindo novos prazeres a dois. Tudo para manter o sistema de recompensa do outro interessado em você...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Amor Doentio


Sinais de amor patológico


1) SINAIS E SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA
Quando o parceiro está distante (física ou emocionalmente) ou perante ameaça de abandono, podem ocorrer: insônia, taquicardia, tensão muscular, alternância de períodos de letargia e intensa atividade.
2) O ATO DE CUIDAR DO PARCEIRO OCORRE EM MAIOR QUANTIDADE DO QUE O INDIVÍDUO GOSTARIA
O indivíduo costuma se queixar de manifestar atenção ao parceiro com maior frequência ou período mais longo do que pretendia de início.
3) ATITUDES PARA REDUZIR OU CONTROLAR O COMPORTAMENTO PATOLÓGICO SÃO MAL SUCEDIDAS
Em geral, já ocorreram tentativas frustradas de diminuir ou interromper a atenção despendida ao companheiro.
4) EXCESSIVO DISPÊNDIO DE TEMPO NO CONTROLE DAS ATIVIDADES DO PARCEIRO
A maior parte da energia e do tempo do indivíduo são gastos com atitudes e pensamentos para manter o parceiro sob controle.
5) ABANDONO DE INTERESSES E ATIVIDADES ANTES VALORIZADOS
Como o indivíduo passa a viver em função dos interesses do parceiro, as atividades propiciadoras da realização pessoal e profissional são relegadas, como cuidado com os filhos, atividades do trabalho e convívio com colegas.
6) O AMOR PATOLÓGICO É MANTIDO, APESAR DOS PROBLEMAS PESSOAIS E FAMILIARES
Mesmo consciente dos danos resultantes desse comportamento para sua qualidade de vida, persiste a queixa de não conseguir controlar tal conduta.

Fonte: Amor patológico: um novo transtorno psiquiátrico, de Eglacy Cristina Sophia, Hermano Tavares e Mônica Zilberman

Seu filho dá trabalho? Entenda a Hiperatividade.

Hiperatividade X Hipoatividade


O entendimento dessas características como sintomas é a chave para o tratamento de diversos distúrbios, não sendo correto afirmar que elas próprias sejam patologias isoladas.


O termo hiperatividade é divulgado frequentemente como distúrbio caracterizado por atividade intensa. Porém, há tempos já se sabe que não deve ser sinônimo de distúrbio e, sim, como sintoma de algum distúrbio que deve ser detectado e tratado, cessando assim o sintoma da hiperatividade. Por outro lado, a hiperatividade também é amplamente confundida com alta atividade o que, na prática, coloca a maioria das crianças sob suspeita de ser portadora do suposto problema, já que é comum a qualquer criança ser ativa, às vezes, até em excesso. Isso é normal. Da mesma forma, nas escolas, crianças desinteressadas pela aula tornam-se bagunceiras, o que caracteriza a indisciplina.
A hiperatividade é sempre um sintoma e sua característica básica é uma atividade constante sem interrupção dia e noite. Acordado, o indivíduo não consegue parar ou realizar uma atividade, pois está constantemente em movimento, pode apresentar insônia com freqüência e, ao dormir, o sono é agitado, geralmente com pesadelos. Pode haver quedas da cama, justamente pelo excesso de atividade durante o sono. Resumindo, a principal característica da hiperatividade, é a atividade ininterrupta do cérebro, até quando o corpo já está cansado e pede descanso, o cérebro continua em atividade.
Este é um dos pontos mais importantes a se considerar quando uma criança apresenta hiperatividade incontrolável. Antes de diagnosticar hiperatividade como se fosse um distúrbio e imaginar que um medicamento possa "curá-la", deve-se analisar a doença (o distúrbio) que está desencadeando a atividade ininterrupta e, ao tratar a causa, obviamente o sintoma da hiperatividade será controlado.
Portanto, é preciso entender que a simples medicação para hiperatividade a controla, mas não trata o distúrbio que a causa. Para sanar (ou controlar) o problema de forma definitiva, é preciso detectar o distúrbio e suas comorbidades (quando um distúrbio se associa a outro ou o indivíduo apresenta características de dois ou mais distúrbios) e tratá-lo de acordo com suas características e necessidades individuais. Pois é preciso reforçar que mesmo que os indivíduos apresentem o mesmo distúrbio ou padrão de sintomas, cada um chegou ao quadro por um caminho, um aprendizado, um fator seja psicológico, neurológico, orgânico/físico, ambiental ou a junção desses fatores ou outros que possam influenciar o desencadear de um distúrbio. E sempre analisando cada caso como único, com um tratamento diferenciado, nunca se associando o mesmo tratamento, é possível alcançar grandes resultados na cura ou controle de distúrbios.
Por tudo isso, temos vários ângulos a analisar: quando uma criança é muito ativa, está sempre agitada, parecendo nunca se cansar, deve-se verificar como ela dorme. Se tiver sono agitado, com ou sem pesadelos, dormir na cabeceira e acordar nos pés da cama, cair da cama ou ainda se tiver tiques, convulsões ou outro sintoma parecido, deverá ser encaminhada a um profissional (pediatra, terapeuta, psiquiatra) apto a identificar seu distúrbio, tratá-lo ou encaminhar a criança a um tratamento. Se o sono da criança for tranquilo, pode-se dizer que é uma criança aparentemente normal, então, tudo o que se deve fazer, é deixá-la a vontade para "gastar" toda a sua energia durante o dia e poder dormir e descansar tranquila a noite.

Hipoatividade - Contrário de hiperatividade?

Em paralelo à hiperatividade, vêm sendo frequentes as afirmações em relação à hipoatividade como um distúrbio. Em alguns jornais e mais comumente pela Internet, é possível ler artigos de profissionais e até de pessoas leigas que já classificam o novo "distúrbio", cuja característica básica é a desatenção ou apatia exagerada e, nos artigos, ainda citam que este novo distúrbio é o contrário da hiperatividade. É possível encontrar até definições bem engraçadas comparando os hipoativos a uma samambaia (pela inércia de atitudes). Por incrível que pareça, alguns profissionais também escrevem sobre o tema, dando um "ar de seriedade" ao assunto e, diante disso, são muitos os pais e professores preocupados com o novo distúrbio... Algumas mães, já desesperadas, citam seus filhos com idade entre NOVE DIAS e dois anos, que sofrem desse mal, identificado no referido artigo, a hipoatividade. E alguns professores até saíram procurando um livro que esclarecesse esse novo "distúrbio" pouco divulgado, que é a hipoatividade.
São diversos os distúrbios que podem apresentar como sintoma a hiperatividade ou a hipoatividade ou, em alguns casos, os dois sintomas alternados.
Novamente, é preciso entender que, assim como a hiperatividade, a hipoatividade também é um sintoma e nunca um distúrbio como já se cogita em diversos artigos não científicos, mas que acabam tendo repercussão. Sites considerados "oficiais" sobre dislexia, por exemplo, estampam o seguinte: "A criança hipoativa é aquela que parece estar, sempre, no 'mundo da lua', 'sonhando acordada'. Dá a impressão de que nunca está ligada em nada. Ela tem memória pobre e comportamento vago, pouca interação social, quase não se envolve com seus colegas e costuma não ter amigos..."
É preciso frisar que tanto a hiperatividade quanto a hipoatividade existem sim, porém não como distúrbios isolados que podem ser medicados e curados. Existem como sintomas, e é preciso ter consciência de que há uma necessidade urgente de se detectar qual (ou quais) distúrbios estão causando a hipo e/ou a hiperatividade. Este e/ou foi colocado propositalmente, pois em alguns casos, é possível apresentar-se os dois sintomas, ou seja, hiperatividade e hipoatividade em um mesmo paciente. Aprofundando-se mais no último sintoma (a hipoatividade), este é uma característica da diminuição de atividade cerebral (como exemplo a hipoatividade dopaminérgica mesocortical, ou seja, uma diminuição de atividade dopaminérgica na área mesocortical). Neste caso, nem sequer é um sintoma, tratando-se de uma característica da atividade cerebral que aponta para um distúrbio.