Hiperatividade X Hipoatividade
O entendimento dessas características como
sintomas é a chave para o tratamento de diversos distúrbios, não sendo correto
afirmar que elas próprias sejam patologias isoladas.
O termo hiperatividade é divulgado
frequentemente como distúrbio caracterizado por atividade intensa. Porém, há
tempos já se sabe que não deve ser sinônimo de distúrbio e, sim, como sintoma
de algum distúrbio que deve ser detectado e tratado, cessando assim o sintoma
da hiperatividade. Por outro lado, a hiperatividade também é amplamente
confundida com alta atividade o que, na prática, coloca a maioria das crianças
sob suspeita de ser portadora do suposto problema, já que é comum a qualquer
criança ser ativa, às vezes, até em excesso. Isso é normal. Da mesma forma, nas
escolas, crianças desinteressadas pela aula tornam-se bagunceiras, o que
caracteriza a indisciplina.
A hiperatividade é sempre um sintoma e sua
característica básica é uma atividade constante sem interrupção dia e noite.
Acordado, o indivíduo não consegue parar ou realizar uma atividade, pois está
constantemente em movimento, pode apresentar insônia com freqüência e, ao
dormir, o sono é agitado, geralmente com pesadelos. Pode haver quedas da cama,
justamente pelo excesso de atividade durante o sono. Resumindo, a principal
característica da hiperatividade, é a atividade ininterrupta do cérebro, até
quando o corpo já está cansado e pede descanso, o cérebro continua em
atividade.
Este é um dos pontos mais importantes a se
considerar quando uma criança apresenta hiperatividade incontrolável. Antes de
diagnosticar hiperatividade como se fosse um distúrbio e imaginar que um
medicamento possa "curá-la", deve-se analisar a doença (o distúrbio)
que está desencadeando a atividade ininterrupta e, ao tratar a causa,
obviamente o sintoma da hiperatividade será controlado.
Portanto, é preciso entender que a simples
medicação para hiperatividade a controla, mas não trata o distúrbio que a
causa. Para sanar (ou controlar) o problema de forma definitiva, é preciso
detectar o distúrbio e suas comorbidades (quando um distúrbio se associa a
outro ou o indivíduo apresenta características de dois ou mais distúrbios) e
tratá-lo de acordo com suas características e necessidades individuais. Pois é
preciso reforçar que mesmo que os indivíduos apresentem o mesmo distúrbio ou
padrão de sintomas, cada um chegou ao quadro por um caminho, um aprendizado, um
fator seja psicológico, neurológico, orgânico/físico, ambiental ou a junção
desses fatores ou outros que possam influenciar o desencadear de um distúrbio.
E sempre analisando cada caso como único, com um tratamento diferenciado, nunca
se associando o mesmo tratamento, é possível alcançar grandes resultados na
cura ou controle de distúrbios.
Por tudo isso, temos vários ângulos a
analisar: quando uma criança é muito ativa, está sempre agitada, parecendo
nunca se cansar, deve-se verificar como ela dorme. Se tiver sono agitado, com
ou sem pesadelos, dormir na cabeceira e acordar nos pés da cama, cair da cama
ou ainda se tiver tiques, convulsões ou outro sintoma parecido, deverá ser
encaminhada a um profissional (pediatra, terapeuta, psiquiatra) apto a
identificar seu distúrbio, tratá-lo ou encaminhar a criança a um tratamento. Se
o sono da criança for tranquilo, pode-se dizer que é uma criança aparentemente
normal, então, tudo o que se deve fazer, é deixá-la a vontade para
"gastar" toda a sua energia durante o dia e poder dormir e descansar
tranquila a noite.
Hipoatividade - Contrário de hiperatividade?
Em paralelo à hiperatividade, vêm sendo
frequentes as afirmações em relação à hipoatividade como um distúrbio. Em
alguns jornais e mais comumente pela Internet, é possível ler artigos de
profissionais e até de pessoas leigas que já classificam o novo
"distúrbio", cuja característica básica é a desatenção ou apatia
exagerada e, nos artigos, ainda citam que este novo distúrbio é o contrário da
hiperatividade. É possível encontrar até definições bem engraçadas comparando
os hipoativos a uma samambaia (pela inércia de atitudes). Por incrível que
pareça, alguns profissionais também escrevem sobre o tema, dando um "ar de
seriedade" ao assunto e, diante disso, são muitos os pais e professores
preocupados com o novo distúrbio... Algumas mães, já desesperadas, citam seus
filhos com idade entre NOVE DIAS e dois anos, que sofrem desse mal,
identificado no referido artigo, a hipoatividade. E alguns professores até
saíram procurando um livro que esclarecesse esse novo "distúrbio" pouco
divulgado, que é a hipoatividade.
São diversos os distúrbios que podem
apresentar como sintoma a hiperatividade ou a hipoatividade ou, em alguns
casos, os dois sintomas alternados.
Novamente, é preciso entender que, assim
como a hiperatividade, a hipoatividade também é um sintoma e nunca um distúrbio
como já se cogita em diversos artigos não científicos, mas que acabam tendo
repercussão. Sites considerados "oficiais" sobre dislexia, por
exemplo, estampam o seguinte: "A criança hipoativa é aquela que parece
estar, sempre, no 'mundo da lua', 'sonhando acordada'. Dá a impressão de que
nunca está ligada em nada. Ela tem memória pobre e comportamento vago, pouca
interação social, quase não se envolve com seus colegas e costuma não ter
amigos..."
É preciso frisar que tanto a hiperatividade
quanto a hipoatividade existem sim, porém não como distúrbios isolados que
podem ser medicados e curados. Existem como sintomas, e é preciso ter
consciência de que há uma necessidade urgente de se detectar qual (ou quais)
distúrbios estão causando a hipo e/ou a hiperatividade. Este e/ou foi colocado
propositalmente, pois em alguns casos, é possível apresentar-se os dois
sintomas, ou seja, hiperatividade e hipoatividade em um mesmo paciente.
Aprofundando-se mais no último sintoma (a hipoatividade), este é uma
característica da diminuição de atividade cerebral (como exemplo a
hipoatividade dopaminérgica mesocortical, ou seja, uma diminuição de atividade
dopaminérgica na área mesocortical). Neste caso, nem sequer é um sintoma,
tratando-se de uma característica da atividade cerebral que aponta para um
distúrbio.

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