segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Medo de fazer exames


Fobias atrapalham e até impedem a realização de exames de sangue, tomografias e ressonância magnética.

Giuseppe D’Ippolito

A palavra fobia traduz o medo persistente e irracional, muitas vezes injustificado e desproporcional que se manifesta em determinadas situações ou na presença de objetos específicos, como por exemplo: escuridão, trovão, animais, espaços fechados. Cada vez mais observa-se o medo de se fazer exames clínicos, diagnósticos e procedimentos médicos de rotina. Trata-se de um transtorno mental que, quando muito intenso, torna-se incontrolável, causa temor patológico e muitas vezes leva o indivíduo a ter reações imprevisíveis. As estatísticas revelam que cerca de 1% a 2% dos exames de diagnóstico por imagem, como a ressonância magnética, a tomografia computadorizada e o raio X, têm de ser refeitos devido a interferências de movimentos que prejudicam os resultados. Cerca de 5% dos pacientes simplesmente não fazem os exames indicados pelo especialista em virtude do medo.

A fobia desencadeia uma série de alterações clínicas que podem ser de origem central (psíquicas), como
intensa ansiedade e senso de opressão; ou periféricas (somáticas), secundárias a uma descarga de adrenalina e que consistem em aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, sudorese, secura na boca, tensão muscular, vertigens, distúrbios gastrointestinais e até movimentos involuntários. Algumas destas reações interferem diretamente no resultado de exames, o que dificulta o diagnóstico preciso e exige nova realização do exame. O paciente que fica ofegante e tem falta de ar, por exemplo, pode prejudicar a qualidade de exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Fobias são mais comuns do que se imagina; encontram-se listados mais de 200 tipos diferentes delas, algumas bastante conhecidas, como a claustrofobia (medo de lugares fechados ou de ser enclausurado); outras comuns, como o medo a injeções (tripanofobia) ou a dentistas (dentofobia) e algumas bastante curiosas como o medo das rosas (antofobia) ou de se apaixonar (filofobia). Existem diversas teorias para explicar a causa das fobias; entre elas podemos citar o estresse decorrente de algum trauma sofrido na infância; razões atávicas (relacionadas aos nossos antepassados) ou até mesmo a presença excessiva de alguns neurotransmissores, como a epinefrina. O paciente com claustrofobia sente muito desconforto e sofre intensamente quando precisa fazer uma tomografia ou ressonância magnética, devido ao porte e formato do equipamento. Em outros casos, o paciente tem pavor de sentir dor, pânico do desconhecido e até receio do resultado do exame. Tudo isso dispara mecanismos decorrentes do medo intenso e incontrolável.

Como Tratar

Geralmente, uma boa conversa para esclarecer qual será o procedimento reduz a ansiedade e o temor do paciente, permitindo que o exame seja realizado tranquilamente. Porém, muitas vezes, essa tática não funciona e o paciente tem de ser sedado para ser submetido ao exame. Alguns estudos demonstram que o nível de ansiedade e temor do paciente aumenta à medida que aumenta o grau de instrução.
Explicar detalhadamente como será realizado o exame, toda a segurança oferecida pelo equipamento, bem como os seus riscos e benefícios podem tranquilizar o paciente. Informá-lo que será acompanhado durante todo o exame e não estará sozinho também ajuda a enfrentar melhor a ansiedade. Em alguns exames, como a ressonância magnética, é possível colocar venda nos olhos e música da preferência do paciente, para que ele relaxe durante o procedimento. Já a sedação oral ou endovenosa são alternativas indicadas apenas para casos extremos.

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